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Alterações no Cronograma da Coleta Seletiva

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A Carta
Cotidiano
Qui, 14 de Outubro de 2010 13:08

 

Aconteceu há um tempo atrás. Cheguei do trabalho cansada, quase duas horas no ônibus, aquela mesma ladainha de sempre. Minha mãe me conta que o carteiro passou por aqui, dizendo que tinha uma coisa (?) pra mim, mas que ela não poderia recebê-la. Na hora fiquei até um pouco curiosa, mas sabe como é, a correria cotidiana, a cabeça cheia de preocupações, as desilusões e decepções com a humanidade em geral e acabei apagando completamente o acontecido da minha memória.

 

Aí, dias depois, chego cansada e biririboróró, minha mãe me mostra um aviso de chegada dos correios, com um carimbo gigantesco contendo a mensagem "SOMENTE O PRÓPRIO DESTINATÁRIO" (assim mesmo, em maiúsculas, pra assustar bem a pessoa que, assim como eu, por qualquer coisinha tem um "ataque de nervos". No mesmo aviso, o horário de funcionamento da agência de Alvorada: 9 às 12 - 14 às 17, ou seja, impossibilidade total de comparecimento para uma pobre trabalhadora que bate cartão e tem horário a cumprir.

No dia seguinte, liguei para o número constante no aviso, afim de buscar as informações necessárias para emitir uma autorização para que alguém pudesse retirar a tal "coisa" em meu lugar. Para minha surpresa, a simpática atendente, munida de todo o seu eloquente gerundismo, respondeu-me que eu "não poderia estar autorizando terceiros por tratar-se de uma correspondência MP" (como se eu fosse obrigada a saber o significado de tal sigla). Eu, com toda calma e paciência, pedi que ela me traduzisse a colocação e, então, consegui descobrir que MP significa "mão própria", ou seja, na linguagem dos correios, só eu mesma poderia retirar a tal coisa, ainda que para isso precisasse pedir dispensa no trabalho.

Perguntei ainda se ela poderia, ao menos, me informar quem era o remetente e, lógico, ela respondeu apenas que "não poderia estar me informando mais nada".

Deste momento até a fatídica hora em que abri a coisa, passei a ser uma pilha de nervos ambulante. Literalmente. Negociei com minha chefe e combinamos que eu sairia mais cedo na terça, pra desvendar o mistério da "correspondência MP".

Minha cabeça, que de saudável já não tem muita coisa há eras, pôs-se a formular as mais mirabolantes hipóteses. Cheguei ao ponto, inclusive, de anotar numa cadernetinha todas as prováveis causas para o envio do aviso de chegada da coisa. Suposições do tipo:

* Alguma alma caridosa, aproveitando-se da proximidade do meu aniversário, poderia ter me enviado um cheque pra, quem sabe, eu comprar um agradinho qualquer em comemoração à data. ( parece piada, mas eu pensei isso SIM).

* O Banco ****, pra quem eu devo uns dinheiros, talvez quisesse me cobrar judicialmente e sequestrar todos meus bens. (quais?).

* Seria uma convocação pra algum concurso público no qual eu passei e já nem lembrava mais?

* Aquela revista que publicou uma história minha no ano passado poderia, sei lá, ter me mandado mais um vale-postal bônus. (quem sabe?)

* Algo relacionado ao Poemas no Ônibus? (ficaram de me enviar um certificado, poderia até ser).

* Alguma promoção que eu tenha me inscrito e sido sorteada? (afinal, me entupi de certos biscoitos só pra participar com várias embalagens.)

* Uma carta do SBT me chamando pra participar do Programa Sílvio Santos? (é, eu me inscrevi.)

* Etecétera, etecétera, etecétera.

No ônibus, a caminho da agência dos correios, repassei mentalmente dezenas de vezes a listinha e ainda fui capaz de imaginar outras tantas possibilidades. Os nervos à flor da pele, a cabeça explodindo, um zunido terrível nos ouvidos, as mãos geladas, o coração descompassado, o suor frio, a tremedeira tomando conta. Mais parecia um ataque de síndrome do pânico ou algo que o valha. Desci e, caminhando na rua, parecia flutuar, não sentia nem o chão debaixo dos meus pés.

Chegando no balcão, toquei a campainha. A atendente parecia andar em câmera lenta vindo lá do final de uma sala bagunçada e cheia de papéis. Entreguei o aviso que me dava direito a retirar a  coisa. Pediu minha identidade, entrou em um corredor que parecia sem fim e cada segundo transcorreu como se fosse uma hora de agonia. Veio, afinal, lá de dentro segurando um envelope branco carimbado como "posta restante". Pegou minha assinatura numa espécie de protocolo de entrega e - finalmente - eu tive a coisa em minhas mãos.

Qual não foi a minha decepção ao ler, ainda do lado de fora do envelope, “Estado do Rio Grande do Sul – Poder Judiciário – Vara Cível do Foro blábláblá”. Matei na hora a charada. A coisa, que tão ansiosa me deixou, que me fez ter ataques de pânico, que me levou a sonhar com presentes, concursos, prêmios, um cargo público e até com o Sílvio Santos, nada mais era do que uma intimação judicial para depor como testemunha num processo trabalhista, envolvendo pessoas com quem convivi bastante há alguns anos atrás e das quais uma delas, "não honrou com seus compromissos", por assim dizer.

Daquelas coisas que, como eu costumo dizer, parece que só acontecem comigo. Mesmo.

 

 

comentários  

 
0 #5 Dwightenam 13-02-2014 17:18
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0 #4 Dwightenam 03-02-2014 20:36
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-1 #3 Fátima Idiarte 21-05-2012 17:16
Essa menina escreve muito bem. Certamente já pensou em escrever um livro tipo "cotidiano". Quem sabe não está aí o pote no final do arco-íris. Sem precisar ir ao Silvio Santos. Abraço!
 
 
+1 #2 Julio Oliveira 29-02-2012 08:16
Então, se ajuda em alguma coisa, isto também aconteceu comigo ontem.
Mas, felizmente, eu estava em casa na segunda tentativa do carteiro, e não precisei ir até a agência dos correios...
Se bem que, de qualquer forma, desde o momento em que o porteiro do prédio avisou-me que o carteiro já havia me procurado para a entrega de uma correspondência com a tal sigla "M.P.", que somente eu poderia receber, até o momento em que efetivamente recebi a bendita, fiquei tão curioso quanto você.
No fim, era o aviso da homologação do acordo amigável da ação de alimentos que estava em demanda com a minha ex-mulher...
 
 
+1 #1 30-05-2011 12:16
Pois é Dona Caroline...
Entãop pergunte a seu pai quantas dessas "supresas" ele já teve!
Beijo
 

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